Quem pode interessar | Blog do Tião Lucena

Tenho exatos 74 anos e três meses, em dezembro completo 75 e meu aposento pela compulsória. No jornalismo já vivi quase tudo, só não digo tudo porque não me tornei colunista social, mas ainda dá tempo.

Comecei em 1975, em A União, fui repórter de rua, repórter político, editor de política, chefe de reportagem, secretário de redação, fiz rádio, fiz tv, fui assessor de imprensa, vice-presidente da API, diretor do Sindicato dos Jornalistas, no ápice da carreira fui secretário de comunicação da Prefeitura de João Pessoa e secretário executivo de comunicação do Governo do Estado.

Fui perseguido, ameaçado de morte, processado algumas vezes incontáveis, recebi condenações, também fui absolvido.

Chegou, porém, a hora da seletividade, tenho esse direito. Cinquenta anos de jornalismo e 74 e meses de vida vívida representam muita coisa, me dão lastro para não aceitar, por exemplo, ser instrumento nas mãos de quem quer atingir alguém ou algum objetivo e não tem coragem de dar a cara a tapa.

Imagine eu, pai de três filhos, avô de cinco netos e prestes a me tornar bisavô, aceitar o deprimente papel de ventríloquo de quem quer que seja. Não dá.

O meu blog é antigo, é o meu espaço, nele escrevo o que acho interessante, não me vendo por dinheiro nenhum, às vezes aceito botar propaganda na publicação, mas dela não depende, minha feira não está atrelada a tocos ou gorjetas.

Enquanto isso, ele continuará no ar e será também espaço para gregos e troianos, para o político de gravata e para o tomador de cana nos botecos dos Funcionários II. Mas decidi: a partir dos dados apresentados, matéria não sairá no meu blog sem a identificação da fonte. Se a fonte quer a publicação, acha que a manchete deve ganhar o espaço, tenha ao menos a coragem de se mostrar. Esse negócio de fonte fidedigna é coisa de gente frouxa. Fidedigna é a fonte que dá o nome, o cpf e o endereço.

Ninguém vai perder nada com isso, meu blog é modesto, não fará falta a leitores experientes a enfrentar espaços mais disputados. Que faça bom proveito, seja feliz, se casem e tenham muitos filhos.

Eu continuei por aqui no meu feijão com arroz.

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