Já fui mais associado às reuniões dos setenta mais do Manaíra Shopping. Morava perto, não enfrentava o trânsito, era um pulo de casa até lá. Mudei de endereço, fui pra mais longe, passo o tempo entre as quatro paredes ou fazendo audiências on line, ainda não aposentei, só em dezembro a bengala me afastará das tampas e me inscreverá no ócio. Aí sentarei praça ao lado dos companheiros de cabelos brancos que vivem de lembranças.
Como aconteceu na tarde de hoje, no cafezinho comandado por Luciano Henrique, Mousinho do Paraiban, Lula Lucena, eu na assistência e, como estrela principal, Nau dos Anjos, que aos oitenta faz questão de dizer que a rola só serve pra mijar, “graças a Deus”.
Claro, todos ficaram a escutar as peripécias da Nau jovem que encarava as matas e os melões São Caitano de Jaguaribe para dar amor às meninas que viviam, durante o dia, entregues ao trabalho doméstico das empregadas e a noite enfrentavam desafios nas matas do bairro em nome do amor.
Uma noite que ficou na lembrança de Nau foi aquela da ida com a moça ao plantio de melões, sentindo-se protegido pelo manto da noite, tirou a roupa, deitou-a na cama de mato e somente quando fez força com as mãos e os companheiros descobertos que estava amassando quatro tuias de bosta.
E a conversa foi por aí, histórias de valentias, de farras monumentais, de infidelidades conjugais, até que Nau, olhando para os lados e baixando o tom de voz, revelou:
- Você sabia que Fulano descobriu depois de velho que seu negócio era homem? Sei até o nome de quem comeu.
Eles ficaram lá, eu fui embora, dona Cacilda me chamou para o aconchego do lar.











