Autor de grandes sucessos do forró, o cantor e compositor Maciel Melo criticou, na noite desta segunda-feira (8), o que chamou de “escantamento” do gênero na programação das principais festas juninas do Nordeste, principalmente em Campina Grande e Caruaru, cujos eventos – para ele – viraram um “festival de música qualquer”. “Não sou contra gênero nenhum, mas cada qual no seu quadrado”, exclamou o artista, durante entrevista ao programa ‘Hora H’, da TV Norte Paraíba.
Conhecido pela canção “Caboclo Sonhador”, entre outras mais de 500 músicas, Maciel atribuiu a reserva aos gestores públicos. “Vocês estão acabando com nossas tradições”, bradou, em conversa com o jornalista Heron Cid.
Ele lembrou que o período junino é um espaço para a sonoridade do forró. “O cara vem aqui no meu terreiro, entra na minha casa, me bota pra fora e toma conta”, protestou o músico pernambucano, natural de Igaracy, no Vale do Pajeú.
Maciel Melo confessou certo desânimo e desabafou: “Estou cansando de falar (…) Mas temos que brigar por nosso espaço, acho que isso passa, pode demorar. O São João é festa nossa, é tradição nossa. O turista que vem pra cá em junho ele vem para ouvir nossas tradições, nossa existência, culinária, dança, e folclore”, contextualizou.
Na opinião de Maciel, cabe às gestões públicas o papel de selecionar as atrações e priorizar as bandas e artistas com identidade com a festa. “Tudo bem, vamos trazer outras pessoas, mas vamos dar prioridade aos artistas que têm compromisso com nossa cultura e a festa em si, quem mantém essa cultura viva são os que moram aqui. Se eu for embora, Petrúcio amorim, Flávio José, quem vai manter essa tradição? Como diz Patativa do Assaré: cante lá que eu canto cá”, reforçou.
*Deformação de São João de Campina Grande e Caruaru*
“Virou um festival de música qualquer (Campina Grande e Caruaru). O forró fica por último e está dando prioridade a outros gêneros que não tem nada a ver com nosso São João e com a essência”, criticou Maciel Melo, referindo-se às duas principais festas da época no Nordeste.
“A consequência disso será que uma criança daqui a 20 anos não saiba quem foi Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, não saiba o que é o forró, não saiba o que é nossa identidade. Dorgival falou sobre isso. Isso deve ser ensinado mesmo nas escolas”, enfatizou.











