A internação de um homem de 62 anos no Hospital de Base do Distrito Federal terminou em um drama que revoltou familiares e levantou novos questionamentos sobre a qualidade da assistência prestada a pacientes acamados na rede pública de saúde. Após semanas de tratamento, José Marques Barbosa precisou passar por uma cirurgia para retirada de parte da nádega direita em decorrência da evolução de uma grave lesão por pressão.
Segundo a família, o quadro poderia ter sido evitado. Eles afirmam que José permanece por longos períodos na mesma posição, sem a mudança de débito recomendada pelos protocolos médicos para pacientes com mobilidade reduzida. O IgesDF, responsável pela administração do Hospital de Base, nega qualquer falha e sustenta que todas as medidas assistenciais previstas foram aplicadas.
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José Marques foi atropelado por uma motocicleta em janeiro de 2026, sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas, sendo encaminhado ao Hospital de Base em estado grave. Durante a internação, foi intubado e sob cuidados intensivos. De acordo com o filho, Ilton Costa Marques, além da gravidade do acidente, o pai teria desenvolvido uma invenção e apresentado sinais de falta de cuidados básicos.
“O cheiro era muito forte. Ficamos com as perguntas se ele realmente estava recebendo os cuidados necessários, como higiene e mudança de posição”, relata o filho.
Ainda segundo a família, apenas após uma intervenção do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), José foi transferido para o Hospital Regional de Sobradinho. Lá, os médicos constataram que a lesão havia evoluído de forma grave e decidiram realizar a amputação de parte da nádega para conter o avanço da necrose e da infecção.
Desde então, o quadro clínico se agravou. José perdeu mais de 10 quilos — passando de aproximadamente 65 kg para menos de 55 kg —, infecção persistente, apresenta episódios de confusão mental e perda de memória e segue internado no Hospital Regional de Samambaia, sem previsão de alta. Segundo os familiares, ele convive diariamente com dores intensas, controlado apenas com medicação.
A família registrou boletim de ocorrência e prepara uma ação judicial. Para Ilton, houve negligência durante o período em que o pai esteve no Hospital de Base.
“Quando vi a amputação, quase desmaiei. Meu pai entrou no hospital por causa de um acidente e hoje luta para sobreviver às consequências de uma lesão que poderiam ter sido evitadas”, afirma.
Os também reclamam a ausência de qualquer contato por parte do Hospital de Base após a transferência do paciente, alegando que nunca receberam esclarecimentos, pedido de desculpas ou manifestação de solidariedade.
Em nota, o IgesDF refuta as acusações. O instituto informa que José Marques recebeu todos os atendimentos indicados para o quadro de politraumatismo, realizou exames e teve alta hospitalar em 3 de fevereiro sem sinais de infecção.
De acordo com o órgão, durante a internação foi especificada uma operação de pressão de grau II na região sacral, tratada temporariamente com curativos específicos e mudanças periódicas de posição, em conformidade com os protocolos assistenciais. O instituto ressalta que pacientes críticos e com mobilidade reduzida apresentam risco elevado para esse tipo de complicação, mesmo quando todas as medidas preventivas são impostas.
O IgesDF também afirma que nenhum procedimento cirúrgico realizado como nádegas foi realizado enquanto o paciente esteve internado no Hospital de Base e negou qualquer perda de prontuário médico.
Independentemente da apuração das responsabilidades, o caso reacende o debate sobre a segurança assistencial nos hospitais públicos do Distrito Federal. Especialistas apontam que as preocupações por pressão estão entre as complicações mais frequentes em pacientes acamados e a interrupção do monitoramento constante, mudanças regulares de posição e acompanhamento específico das equipes multiprofissionais.
Agora, caberá às investigações esclarecer se a evolução da lesão ocorreu exclusivamente da gravidade do estado clínico do paciente ou se houve falhas na assistência prestada durante a internação. Enquanto isso, José Marques permanece hospitalizado, em estado grave, e sua família aguarda respostas e responsabilização, caso seja comprovada alguma irregularidade.











