Por Chico Pinto Neto
No início da década de setenta tomei a decisão mais certa, próspera e saudável da minha vida.
Iniciativa esta, que me permitiu estudar, trabalhar, constituir família e adquirir novas e perenes amizades.
Saí da cidade de Sousa, no Alto Sertão da Paraíba, aos 20 anos de idade, em busca de novos horizontes. No entanto, algo me atrapalhava.
Nessa época, já carregava nas entranhas um vício que quase me leva, em definitivo, a bancarrota se no meio desta tormenta, não teve tomada à decisão de deixá-lo para sempre fora da minha rotina.
A decisão esta, que neste próximo dia 27 de setembro, festejaremos com sobriedade 34 anos de vida nova.
Digo festejaremos porque ao meu lado se encontram meus familiares que agradecem ao nosso Deus por esta conquista que me devolveu plenitude de ser dono da minha caminhada com harmonia, saúde e responsabilidade.
Fui alcolatra e ainda o sou, mas sem me permitir ingerir, durante todo esse tempo, até uma gota etílica.
Por essa “Graça Divina” carrego dentro do meu ser uma felicidade imensa, sem qualquer resquício de nostalgia.
Digo apenas que o meu sofrimento, após as farras homéricas, que me esvaiam de ressacas e de dívidas descontroladas são coisas do passado.
Porém, nada contra os que gostam das suas “brincadeiras” em torno da sua cerveja, da sua conhaque e da cachaçinha espirituosa. Vão em frente com moderação e sempre convencidos de que existe o momento de reflexão.
Ou seja, se considerar que a vida é melhor ser vivida regada ao álcool, distante dele ou com moderação, isso fica ao designado de cada um, pois, é bom mensurar que a vida é bela com ou sem os efeitos desordenados da embriaguez.
Se você se sente prejudicado, o caminho é evitar o primeiro gol. Se tá de boa siga em frente com a proteção de São João da Barra e, evidentemente, daqueles outros santos que protegem os passos característicos dos efeitos etílicos.
Oxe, falei em demasia do alcoolismo, e ia me esquecer do famoso abraço que fui obrigado a dar em um poste situado em Duque de Caxias, em frente ao Cine Plaza, em plena passagem de ano.
Explico: esse afetuoso amplo ocorreu na passagem da década de 70 para os anos 80. Tinha passado a tarde com amigos bebendo no Pietro’s Bar, da Lagoa, quando observei que os ponteiros do relógio já se aproximavam das 23 horas.
Como morava em uma republica próxima ao bar, pedi a “saideira” e ao terminar me dirigi ao meu cafofo para trocar de roupas e ir romper os festejos na casa dos meus queridos tios e padrinhos Quintino e Otávio Henrique, que residiam, naquela época, na Rua Manoel Deodato, na Torre.
Ao sair limpinho, de roupa nova e perfumado qual foi a minha surpresa? Simplesmente não havia mais transportes naquele horário.
Os ônibus já carregados foram recolhidos e os taxistas “batidos” em retirada para comemorarem a passagem do Ano Novo juntos aos seus.
Ruas desertas, sem viva a’lma, transporte muito menos e sem outra opção a não ser ir a pé até a Torre, porém, o tempo estava em meu desfavor.
Ao ir em busca novamente do Pietro na tentativa de encontrar alguém para me conduzir ao meu destino, antes programado, parei de supetão na rua deserta ao ouvir a badalada do sino da Catedral de Nossa Senhora das Neves, anunciando a alvorada do Novo Ano.
Com imensurável tristeza não tive outra escolha a não ser me abraçar com este poste da foto, que me faz ainda hoje, gravar com saudoso tristeza e melancolia dos meus tempos de antão.
É assim que a vida prega emoções inevitáveis na caminhada dos boêmios. Umas alegres e outras nem tanto.
*Esse fato me veio à memória ao passar diante do meu amigo poste, neste sábado, em companhia da minha filha Ianara, quando retornamos do Sabadim Bom, em busca do nosso carro em direção a nossa casa.
Desta vez sóbrio e sem nenhum atropelo. E, assim, continuo grato pelos bons momentos etílicos, porém, nem sempre saudável e nem tampouco defeituoso.











