O beco estreito de Ormuz

Miguel Lucena

A conversa girou sobre a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã quando eu cheguei à cabeça de um velho repente sobre um beco tão estreito que três cabras não passavam de jeito nenhum.
Edson Vidigal Filho, exibindo seus novos dentes de porcelana, abriu um sorriso tão largo que parecia propaganda de pasta dental. Ficou curioso:
— Que beco estreito é esse?
Expliquei que, no mundo da geopolítica, existe um ainda pior: o Estreito de Ormuz. Um corredor apertado entre o Irã e Omã por onde passa boa parte do petróleo do planeta. É como um beco da feira: todo mundo quer atravessar, mas basta um sujeito atravessado para virar empurra-empurra.
Ali passam petroleiros gigantes, navios de guerra, drones, espiões e discursos inflamados. Cada potência quer botar o pé primeiro, como em fila de banheiro de festa. O problema é que, nesse momento, qualquer trombada vira crise internacional e qualquer espirro pode subir o preço da gasolina.
No repente que lembrei, três não passarei. Em Ormuz é pior: passam bolsas de países, mas todos com o dedo no gatilho e o olho no barril de petróleo.
E eu pensando cá comigo: se já dá confusão quando dois carros tentam entrar ao mesmo tempo na garagem do prédio, imagine o mundo inteiro disputando passagem num beco desse tamanho.

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