Meu tempo com Burity (inspirado no livro de Glauce) 2

A lua de mel de Wilson Braga com o PMDB terminou com a eleição de Carneiro Arnaud. Logo após a posse do novo prefeito, Braga o cooptou para o seu lado e rompeu com o partido de Humberto Lucena.

Aproximava-se a eleição de 1986.

Ronaldo Cunha Lima, então prefeito de Campina Grande, seria o candidato a governador do PMDB, mas ele prefiro não trocar o certo pelo duvidoso.

O senador Humberto Lucena enviou o ex-governador Pedro Gondim, o ex-deputado Waldir dos Santos Lima e o deputado Edvaldo Motta como emissários para Campina Grande para convencerem Ronaldo a assumir uma candidatura. Os três passaram de 12 horas de castigo em Campina esperando uma resposta de Ronaldo, que após se reunir com familiares e amigos, avisou que ficaria na Prefeitura. Não era uma vez dele.

O engraçado é que, depois, ele criou verso para se anunciar candidato a governador em 1990:

Em 82 ficou pra depois

Em 86 não foi minha vez

Mas em 90 ninguém me sustenta.

Na falta de Ronaldo, sobrou Burity, que foi igualmente bom de voto e, rompido com Wilson Braga, se apresentou como voz forte de oposição ao então governador.

Enquanto isso, Wilson Braga se movimentava para a disputa.

Começou a aplicar um golpe no seu vice-governador, José Carlos da Silva Júnior, que assumiu o Governo quando Braga se desincompatibilizou para concorrer ao Senado.

Convenceu José Carlos a renunciar juntamente com ele e dali ser o candidato do grupo a governador.

José Carlos renunciou e ficou sem nada.

Braga elegeu o senador biônico, Milton Cabral, para o mandato de governador e lançou o senador Marcondes Gadelha como candidato ao Governo do Estado.

Burity, por sua vez, já filiado ao PMDB, se dispunha a ser o candidato, tendo como companheiro de chapa o tribuno Raimundo Asfora, indicado pelo próprio Ronaldo.

Trabalhei no comitê de imprensa da campanha da Burity.

Era um dos chamados operários, aqueles que faziam o trabalho de campo.

Eu e Lelo Cavalcante acompanhávamos o candidato pelo interior do Estado, testemunhando as adesões, os quadrinhos, as manifestações dos representantes e depois transformando tudo em notícias, que foram enviadas para o comitê central em João Pessoa e lá para os jornais.

Além de nós dois, foram construídos no comitê central Martinho Moreira Franco, Edmilson Lucena e Paulo Santos, mais tarde recompensados ​​por Burity como, respectivamente, secretário de Comunicação, superintendente de Comunicação e diretor da Rádio Tabajara.

As viagens eram cansativas. Percorríamos BRs e estradas de barro. A campanha era franciscana se comparada à de Marcondes Gadelha, bancada pela máquina do Governo.

Marcondes voou de helicóptero. E o presidente era uma atração à parte, principalmente nas cidades pequenas que sequer sabiam da existência daquele bicho estranho.

E foi por ser atração que terminou degolando um eleitor em Taperoá. O matuto se mudou além da conta e a hélice enganou a cabeça do coitado.

Os senadores da chapa de Burity foram Humberto Lucena e Raimundo Lira, este último um ilustre desconhecido que terminou se elegendo em primeiro lugar, puxado pelo furacão Tarcísio Burity.

Wilson Braga perdeu a eleição para o Senado e o senador Marcondes Gadelha foi fragorosamente derrotado. A maioria de Burity foi de 300 mil votos.

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