1 – As brigas políticas da Capital são bem diferentes das do interior.Na cidade grande os rivais são tratados por Vossa Excelência e só brigam de boca. Depois vão se confraternizar em restaurantes chiques, a conta repartida, com o testemunho da “imprensa”, que registra tudo como se fosse um mar de flores depois de comer de graça.
Nenhum interior é diferente. De tiro pra faca, passando por tabelas de tamanhos variados, dados e nomes feios, tudo é considerado válido.
Dia desses, teve até venda quebrada em disputa interiorana. O agredido saiu de cena com o sangue descendo e prometendo dar o troco em breves dias.
O engraçado é que a briga sempre envolve os periféricos. Os chamados grandões a tudo assistem e depois se trancam nas berlindas das suas mansões para orar a Deus e encher a pança.
2 – De vez em quando a briga vira tragédia, como aquela que ocorreu na Assembleia Legislativa. Dois deputados brigaram na fala, Um disse que o Outro era o feio, o Outro respondeu que feio era o Um. Até que um dia foram as vias de fato. Um partiu pra cima de Outro, Outro deixou o revólver e atirou no peito de Um. Um contínuo partindo pra cima, foi agarrado e mesmo assim ainda arrancou um pedaço do nariz de Outro com os dentes.
3 – No meu interior as campanhas acirradas se transformaram em guerra armada. O derrotado não admitiu que o vitorioso passasse em sua rua, mesmo que o fizesse sem ofender o rival. Na vitória de Antônio Nomeando sobre os Pereira a turma comemorava com uma passeata gigante que percorreu as ruas de Princesa. Ia passar na frente do Palacete de Aloysio, Aloysio armou a cabroeira e autorizou a guerra. Trinta estava de volta com todas as tintas e sangue a valer.
4 – Não houve tragédia graças a um capitão enviado a Princesa para garantir a ordem nas eleições. O capitão posicionou seus soldados na entrada da rua de Zé Pereira e intimou os festeiros a desviarem o caminho. Não foi compreendido pelos vitoriosos, que invadiram a cadeia e forçaram o oficial a empreender uma fuga de emergência em plena madrugada.
5 – Na campanha de 82 inventei de apoiar Antônio Mariz, que disputava o Governo contra Wilson Braga. Fui a Princesa, fiz discursos, comícios e pedi votos. No dia da eleição apostei o carro com os amigos de bebedeira e só não voltei “de a pés” porque eles compreenderam que só chegamos ao extremo terrorismo por causa de Pitu, a má conselheira de Vitória de Santo Antão.
6 – Naquela mesma eleição dei umas estocadas em Tarcísio Burity, que saiu do Governo para se eleger deputado federal. O Correio da Paraíba, que me deu espaço para escrever, me demitiu. Desgostar vitorioso é coisa de doido. Perdi o emprego, fiquei sem espaço, os amigos deixaram de frequentar minha casa para os churrascos domingueiros e fui morar numa casinha alugada, cheia de mofo, perto de Gramame.
7 – Na eleição seguinte, já de volta ao jornal e de bem com a vida, trabalhei pra Burity e Burity, vitorioso, nomeou a equipe de comunicação sem que eu fosse lembrado. Não me ofendei, os escolhidos foram os melhores da equipe de imprensa que não deram comissão. Eu fazia o trabalho de campo, acompanhava o candidato nas andanças, era braçal e braçal, como todos sabem, só trabalha.
8 – Minha sorte veio a galope. Glauce Burity, primeira dama,convidou-me para ser sua assessora de imprensa, me deu régua e compasso e me transformou no que sou hoje. Gratidão imensa, enorme, impagável.
9 – A primeira carga de relevância foi o secretário de comunicação do prefeito Chico Franca, que me chamou para o lugar de Gonzaga Rodrigues. Gonzaga deixou a Secretaria para se candidatar a vereador e eu, segundo o próprio Chico Franca, dei conta do recado.
10 – Depois veio Ricardo Coutinho e me fez, primeiro Corregedor da PGE, depois Secretário Executivo de Comunicação, assim, sem padrinho, sem QI (quem indica), só ele e eu, só eu e ele. Trabalhei com um dos maiores homens públicos que tive a honra de conhecer, um cara corajoso, que não tinha medo de cara feia e só fazia o que era certo.
11 – E agora lá se vão meus abraços sabadais para Júnior de Aninha, Aninha de Júnior, Marquinho do Top Som, Ovidio Mendonça, Saulo e Solon Benevides, Hermes de Luna, Flavinho Sátyro, Kubi Pinheiro, Johnsim Abrantes, Zé Alan Abrantes, Raniery Abrantes, Manoel Abrantes, Ademar Nonato, Abraão Beltrão, Marta Santos, Dominguinhos Sávio, Rubia Matuto, Tadeu Florencio, Gaudêncio Cabral, Marco Burrego, Carlos Patachoca, Edmilson e Miguel Lucena, Odon Bezerra e Sebastião Gerbase.
12 – O ex-deputado Otacílio Queiroz foi fazer um comício em Cacimba de Areia e carregou consigo uma comitiva toda especial. A exemplo dele, que puxava de uma perna, levou um tira-colo “Ciço Coxo”, que também puxou da perna, Zé Biu, que para andar se valia de um par de muletas e Euclides Gouveia, com o braço engessado por causa de um acidente.
Quando desembarcaram em Cacimba de Areia e se dirigiram ao palanque, os caminhantes, foram parados por uma senhora que, alarmada e curiosa, interpelou o Doutor Otacílio:
-Meu senhor, onde se deu essa virada?”










