Até você, Wagner! | Blog do Tião Lucena

A decisão judicial que autorizou cumprimento de mandatos contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) na manhã desta quinta-feira (18) traz relatos da Polícia Federal que indicam como o senador teria atuado em favor do Banco Master. A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

De acordo com o documento, teriam de atuar parlamentarmente em temas relacionados à matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e na investigação de fiscalização e controle de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). A ação teria sido em prol também da “Emenda Master”, que propunha mudanças no funcionamento do FGC.

A PF colabora, como contrapartida à atuação de Wagner, a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões. Seria a unidade 1.702 do empreendimento Poème Horto, cujos dados foram repassados ​​diretamente de Wagner para Augusto Lima.

As tratativas foram seguidas mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, com chamadas de voz, reuniões presenciais, videoconferências e envio de minutas contratuais.

Wagner, que é líder do governo Lula no Senado, teria tratado diretamente com o banqueiro Augusto Ferreira Lima uma proposta para aumentar a margem consignável dos trabalhadores regidos pela CLT, para aposentados e pensionistas, além de autorizar para beneficiários do BPC.

O tema passou pela emenda nº 30 apresentada à Medida Provisória 1.106/2022, que posteriormente foi convertida em lei.

Também houve, segundo a PF, a coordenação para a aprovação da PEC 65/2023, que teve repercussão sobre o limite de cobertura do FGC. É nessa matéria que Wagner teria atuado em prol da “Emenda Master”, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Teria sorte uma sequência de contatos entre Guilherme Sodré, Daniel Vorcaro, o chefe de gabinete do senador e Augusto Lima.

Em 13 de agosto de 2024, quando a emenda nº 11 é incluída, há uma ligação entre Wagner e Lima de 9 minutos e 19 segundos, com o envio, logo depois, do link da emenda. Em 27 de agosto do mesmo ano, após um encontro presencial, Lima teria reencaminhado o link da emenda.

Apesar da descrição das condutas envolvendo a atividade parlamentar, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), não acolheu o pedido de buscas e apreensão no gabinete de Jaques Wagner.

A PF havia solicitado, mas a Procuradoria-Geral da República havia se manifestado contra.

“Isso porque a realização de medidas como a ora aventada em dependências situadas na sede de outro Poder reclamação fundamentação especificamente específica, apta a demonstrar não apenas a participação do parlamentar nos fatos sob purificação, mas também a existência de elementos indicativos de que, naquele espaço funcional, se encontrem provas indispensáveis ​​à investigação, ou cuja obtenção se revelou inviável por outros meios”, justificou o ministro.

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