Domingueiras do Tião

ESCRITAS ALEATÓRIAS

Chico Florêncio (FOTO), o mais intelectual dos princesenses, alcançou a fase de nada fazer por obrigações. Sabe escrever, escreve bem, mas só escreve quando quer é sobre o que lhe dá vontade. Ele é mais velho do que eu, embora mais conservado. Nunca se deu ao prazer dos vícios, sempre leu, descoberto, nada de noitadas, serestas ao luar ou idas soturnas aos braços pecadores das meninas de Estrela. Por isso é mais conservado, sem rugas e quase sem cabelos brancos.

Mas eu comecei com o Chico para dizer que não estou ingressando na hora. Tem coisa mais chata do que falar sobre assuntos previamente escolhidos? Sai por obrigações, nunca por prazer, o sujeito fica limitado aos aceiros ditados por convenções nem sempre justas e termina se violentando.

Agora mesmo quero falar sobre o clima, não aquele clima chato da TV, mas o da chuvarada que nos atormenta desde a noite de sexta. Quanta água, meu Deus! Um açude estou próximo à BR 101 e alagou a estrada, transformada em um rio, quem vinha do Recife para João Pessoa teve que voltar ou procurar um desvio.

Em Ingá estaria voltando o drama que deixou Vavá da Luz do outro lado do rio. E em Bananeiras meu amigo Duda não saiu de casa por causa das barreiras em torno do velho túnel, que caiu e deixou os moradores presos.

Bananeiras está ilhada de chuva, de lama e de condomínios. Tem pra mais de trinta. E vindo mais. A sanha dos construtores não respeita nem a natureza. Estão derrubando uma Mata Atlântica para construir um condomínio. Perto da Universidade, a mata foi derrubada para dar lugar a um condomínio boutique. Até o clima mudou, não existe mais frio.

No mais, vamos aguardar a segunda-feira e torcer para não se cumprir a profecia do cartomante, que garantiu uma derrota do Brasil para o Japão.

PEDRO FOGUETEIRO

Hoje seria a grande festa de Pedro Fogueteiro em Princesa. Nascido no mesmo dia do santo e por isso batizado com o mesmo nome, Pedro comemorou a data em grande estilo. Começava com a alvorada pelos pifeiros de Jericó. A música inundava os céus e o pipocar ​​das bombas acordava a cidade. Carmélia abriu as portas da casa no Cancão para receber o povo, que bebe café, comia bolo e cantava benditos.

À noite houve uma novena e depois a queima das rodas de fogo, os homens batendo no pilão, os balões cantando os ares e os pifeiros, de beiços inchados de tanto tocar, animando a festa.

Com o passar do tempo, Pedro aumentou a comemoração. Já sem Carmélia e casada de novo, construiu uma palhoção que interditava a rua, E o povo dançava até o raiar do novo dia.

Um dia Pedro morreu, mas a festa continua. Seus descendentes honram a sua memória. Com pifeiros e tudo o mais.

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