Ouvia no rádio um conhecido comunicador desmentir um colega que denunciara uma autoridade, acusando-a de prática de assédio sexual. O comunicador disse que o colega mentiu, sofreu a acusação por vingança e que telefonara para o denunciando para lhe emprestar solidariedade irrestrita. O dono do programa fez eco à solidariedade do comunicador.
E eu fiquei convencido de uma coisa: esse jornalismo que se pratica hoje não é o meu jornalismo. Sou de uma época que já morri e só eu não sabia. Na minha época jornalista era solidário a jornalista,os de fora que cuidavam de suas vidas. Mas agora a coisa mudou, cada um que cuida de si e quem não se cuida, que morra na curva da estrada.
Na década de 60 os filhos de um prefeito surraram um colunista social que criticou seu pai. O mundo veio abaixo. API soltou nota, Sindicato de Jornalistas fez o mesmo, colunas foram escritas denunciando a violência e tomando providências, nunca se viu união tão forte. Em 70 aconteceu a mesma coisa. Um colega apanhou dos filhos do prefeito e os colegas correram pra cima, tomaram as dores, moveram céus e terras exigindo justiça.
Vivi os tempos de uma API gloriosa, de um Sindicato forte, de jornalistas que não tinham dinheiro, mas tinham moral de sobra para peitar qualquer autoridade e exigir respeito.
Hoje se presta solidariedade a quem é criticado por jornalista, isso é estranho, é incomum, não faz parte do meu mundo.
Começo a acreditar que sou um estranho no ninho.











