Domingueiras do Tião

NOITE EM CLARO

Imagem Google, meramente ilustrativa

A idade me brindou com a modalidade do sono fatiado. Passo a noite dormindo e acordando. Durmo para sonhar, acordo para mijar e no intervalo entre o acordar e o mijar, beber água.

O sonho mais recente foi com Benedito, antigo companheiro da banda de música. Eu tocava requinta, ele tuba, Goguinha, seu filho desportista, ia de trombone de vara, Manoel Orestino, vizinho de casa na Rua da Lagoa, tocava pratos e cochilava entre um dobrado e outro. No sonho, Benedito virou crente e cantava louvores para os funcionários do Centro Administrativo. Com certeza está no céu, para onde voou no século passado.

De ontem para hoje o sono e os sonhos são invadidos pelo cantar de músicas etílicas que saem da casa ao lado, onde um político com mandato costuma fazer uma farra mensal com amigos e assessores. Agora mesmo cantam um samba antigo, do tempo do ronca. Aliás, minto, não cantam, beram. Tem uma mocinha gasguita, dá pra ver aqui da janela, que se sobressai no cantar e no gesticular. Ela fica sentada, mas os braços permanecem levantados para o céu como se fossem os de um maestro regendo a orquestra.

Mas não perturbe meu sono, me deito e durmo naturalmente. A mulher é que não prega o olho, fica acordada ouvindo a zoeira e perguntando se existe lei neste país. Eu respondo que existe, pra pobre, o que não é o caso do vizinho, podre de rico, poderoso e com mandato. Esse aí vai amanhecer o dia cantando e bebendo, se alguma “puliça” aparecer será para participar do frevo e proteger as donzelas.

Vou dormir de novo, não quero ver as cenas do próximo capítulo.

 

SÃO JOÃO

Bananeiras se preparam para mais um São João, que não serão como aquelas que eu conheci quando comecei a visitar a cidade. No tempo de Marta Bananeiras foi o destaque entre as cidades da Paraíba para fazer uma festa pé de serra, sem sofisticação. Era o diferencial. E juntava gente. O primeiro que eu vi de perto reuniu Pinto do Acordeon e Jorge de Altinho. Foi uma apoteose.

Depois que tudo mudou, o São João cresceu, ganhou novo endereço e a sofisticação o fez parecido com Campina Grande. Até um tal de Alok foi chamado para a festa.

Não fui mais, escudo ao longe o zumbido dos instrumentos musicais, sentindo saudade dos tempos de antanho.

O post Domingueiras do Tião apareceu pela primeira vez no Blog do Tião Lucena.

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